Entre algoritmos e afetos

Muito se fala sobre o avanço da inteligência artificial, quase sempre em tom de espanto. Como se, de repente, estivéssemos diante de algo que veio para reorganizar tudo: as profissões, as rotinas, os processos, os papéis. No turismo, esse movimento também já começou. Ainda de forma inicial, é verdade, mas suficientemente presente para despertar uma pergunta inevitável: o que muda no trabalho do agente de viagens?

Muda bastante. Mas não muda tudo.

A inteligência artificial já se mostra capaz de facilitar o dia a dia em muitos aspectos. Ela ajuda a acelerar pesquisas, organizar informações, sugerir roteiros, reunir referências sobre destinos, comparar possibilidades, levantar dados e até contribuir com ideias mais personalizadas para diferentes perfis de viagem. Em um mercado que exige agilidade, repertório e capacidade de resposta, isso tem valor.

Seria ingenuidade ignorar esse avanço. E também seria um erro olhar para ele apenas com receio.

A IA pode, sim, se tornar uma grande aliada do agente de viagens. Pode reduzir etapas operacionais, apoiar a construção inicial de uma viagem, ampliar o acesso à informação e liberar tempo para aquilo que realmente importa. Porque talvez essa seja a grande virada: quando certas tarefas ficam mais rápidas, o profissional ganha mais espaço para exercer o que nenhuma tecnologia consegue reproduzir por inteiro.

E é aqui que o essencial aparece.

Viajar nunca foi apenas uma escolha objetiva. Uma viagem carrega desejos, medos, expectativas, memórias, simbolismos. Às vezes, o cliente pede uma praia, mas o que ele quer é descanso. Pede uma viagem internacional, mas o que ele busca é celebração. Pede um pacote, mas o que precisa mesmo é de segurança. E para perceber essa diferença entre o que é dito e o que é sentido, é preciso mais do que dados. É preciso escuta. Sensibilidade. Vivência. Presença.

A inteligência artificial informa. O agente interpreta.

A inteligência artificial sugere. O agente orienta.

A inteligência artificial responde. O agente acolhe.

E isso faz toda a diferença, especialmente quando pensamos no perfil de cliente que a Flyworld deseja atrair e atender. Estamos falando de pessoas que valorizam confiança, proximidade, atendimento cuidadoso, curadoria e suporte real.

Porque no fim, entre algoritmos e afetos, é o afeto que continua fidelizando, tranquilizando e criando experiências memoráveis.

 

Por Márcia Ximenes
Diretora de Expansão da Flyworld